Censura Wins

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Sem dúvida foi um dia agitado para os games aqui no Brasil. A censura de Counter-Strike e Ever Quest foi como um vulcão adormecido que de repente entra em erupção. “Não vou postar nada dessa notícia no blog; todos os sites especializados vão dar todas as informações mesmo”, pensei. E eu não estava errado. Postar a notícia aqui seria perda de tempo, mas como vim aqui pra relaxar e falar qualquer coisa que me venha à cabeça, vou fazer meu comentário a respeito.

Para quem não está por dentro, é o seguinte: Counter-Strike e Ever Quest (o qual nunca joguei e pouco sei a respeito) tiveram sua venda e distribuição proibida aqui no Brasil por decisão de Carlos Alberto Simões de Tomaz, juiz federal, que atua no estado de Minas Gerais. Os jogos são considerados nocivos à saúde dos consumidores, pelo seu teor de violência, o que supostamente influencia negativamente os jogadores.

Eu fico imaginando quais fatos comprovam a influência desses jogos na violência que se vê no Brasil hoje. Mesmo que existisse alguma relação entre o alto número de atrocidades no Brasil e os jogos violentos, estes deveriam ter tamanha importância lá nas salas dos nossos governantes? Por que não fazem algo que realmente ajude a melhorar o país? Eles estão é brincando de governar, isso sim.

Mas voltando ao principal: a violência dos jogos e sua influência nas pessoas. Vou fazer a comparação mais lógica e aceitável para o público brasileiro agora. Tropa de Elite. Quem não assistiu? Esse filme mostra exatamente como alguns policiais são — são maus, bem maus. São minoria, claro, mas existem. Isso é o que menos importa agora. O que importa é que o filme retrata muita violência, muita mesmo. Não sei ao certo qual é a faixa-etária recomendada para o filme, mas supondo que seja 18 anos, isso torna o filme livre pra venda e “consumo” no Brasil. Já Counter-Strike, que também tem faixa-etária mínima de 18 anos, não pode mais ser comercializado e “consumido” aqui. Os dois produtos têm o mesmo público: maiores de idade, com capacidade de discernimento sobre as regras e éticas da nossa sociedade. Por que o filme, que mostra muita violência vinda dos “mocinhos”, pode ser comercializado aqui e o jogo não?  E digo mais, Tropa de Elite tenta mostrar o lado humano dos policiais malvados de certa maneira que, no final, acabamos ficando do lado deles. E todo mundo pensa: “é, essa é a solução pro Brasil. Tem que meter bala mesmo”. Às vezes um jogo não tem tanto poder de persuasão sobre o público quanto Tropa de Elite — e acho que esse é o caso. E isso me faz pensar que o órgão que tomou a decisão de proibir o jogo Counter-Strike, tomou uma decisão totalmente sem sentido.

Um cidadão com 18 anos deve ter um nível intelectual suficiente pra entender o que é jogar e o que é viver. Ou pelo menos que não é com violência que se resolve as coisas, e tudo que a mamãe e o papai sempre disseram. E todos sabem que os jovens de 18 anos, em sua maioria, tendem a ser civilizados; sabem distinguir a história de um filme/jogo de sua realidade. Então o problema não está nesses jovens maiores de idade. Talvez os governantes vêem problemas quando os menores de idade jogam! E eles podem ser mais influenciados do que os outros, não é? Até que concordo, apesar de achar que se um adolescente não tem uma cabeça “normal” até os 13 anos, ele já deve receber tratamento médico especializado. Mas se o problema é realmente os menores de idade, o que está errado: a venda do jogo em território nacional ou a falta de fiscalização no “consumo” do jogo por menores de idade em LAN houses? O que deve ser feito: montar uma estrutura de fiscalização decente ou recolher os jogos das LAN houses e prateleiras das lojas?

Se o problema é realmente com os menores de idade, então a proibição da comercialização do jogo foi a coisa mais burra, sem sentido que já vi acontecer aqui; se o problema é mesmo com os maiores de idade, então deve-se estudar jogos como Counter-Strike, pois estes têm um poder de manipular a massa formadora de opinião do país — os jovens — muito facilmente.

Se o Brasil tem tanta violência, acredite, não é por causa de um jogo. Existem tantas outras decisões importantes a respeito de violência a serem tomadas por esses juízes da vida…
Eles já estão caducando. Coitados.

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Uma resposta to “Censura Wins”

  1. kwutulxas Says:

    Nem tem fiscalização que vá acabar com os jogos em si, julgando que boa parte do counter strike no brasil é pirata e ele já era proibido nas lan-houses, mas como vemos ele não é tão proibido assim.

    O Ruim é que isso de certa forma acaba com os nossos cyber atletas de counter strike e servidores nacionais, alem de dar um grande soco na valve e na eletronic arts do Brasil.

    Já era tão dificil investir nesse pais, mas isso só vai afetar no ‘oficial’ eles bricam de governar e nós brincamos de seguir as regras😛

    “Se o Brasil tem tanta violência, acredite, não é por causa de um jogo. Existem tantas outras decisões importantes a respeito de violência a serem tomadas por esses juízes da vida…
    Eles já estão caducando. Coitados.”

    Disse tudo.

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