O Wii vinha me decepcionando muito. A falta de “jogos de verdade” me fazia menosprezar o console da Nintendo. Todos criticam o PlayStation 3 dizendo que este não possui jogos (bons) o suficiente para torná-lo digno de sua compra. Eu penso o mesmo do Wii, que tem a maioria dos jogos voltada para um público casual demais. E os jogos “bons”, os jogos para o “jogador”? Eles sempre existiram — embora em pequena quantidade — tanto no PS3 quanto no Wii. Uma prova disso é o (nem tão) novo No More Heroes, jogo exclusivo de Wii que tem um conceito muito, muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí nesse console casual.
No More Heroes não é um jogo co
mum. Existe uma atmosfera de humor presente todo o tempo. Além disso — como raramente se vê em um jogo de Wii –, durante as lutas sangue é jorrado por todas as partes, saindo das cabeças decepadas ou dos corpos cortados ao meio. Por falar em cortes: Travis, protagonista do jogo, usa uma arma que lembra um Sabre de Luz (do Star Wars). Então é natural que seus inimigos percam alguns membros.
Travis Touchdown é um assassino de aluguel que tenta se tornar o número 1 do ranking (de assassinos). Ele mora num hotel chamado No More Heroes, na pequena cidade Santa Destroy – que lembra alguns bairros residenciais californianos. Sua “agente”, Sylvia Christel, uma jovem loira e atraente, diz onde e quando o “mocinho” deve ir para acabar com alguém que está à sua frente no ranking. Então, Travis vai até o local e faz uma “limpeza” de capangas. Chegando ao final do percurso, ele enfrenta o “chefe”, que é aquele com melhor posição no ranking.
O jogo se adapta muito bem aos controles do Wii. Não é necessário fazer esforços repetitivos: usa-se tanto o apertar frenético de botões quanto o revolucionário “balançar frenético de wiimote“. O botão A desfere os golpes com o Beam (a espada que lembra um Sabre de Luz), Z trava o alvo, as setas fazem movimentos evasivos enquanto existe um alvo travado, e o analógico movimenta Travis. É um pouco mais complicado do que parece. Por isso, logo na primeira missão, colocaram um longo tutorial que explica todos os tipos de movimento. Mas a curva de aprendizagem é curta. O jogador se familiariza aos comandos rapidamente.
As lutas são bem divididas entre apertar botões e balançar o wiimote, isso torna a jogabilidade menos repetitiva e cansativa. Para acabar com um oponente, primeiro o jogador deve se focar em ataques normais com a Beam. Quando o inimigo já está fraco, o jogador deve fazer um movimento apontado por uma seta na tela. Se fizer o movimento certo, Travis toma um banho de sangue do inimigo, que perde a cabeça ou é repartido ao meio.
Além do ataque convencional esmagando o A, pode-se fazer um ataque especial segura
ndo o mesmo botão até a Beam carregar mais energia e, então, estourar o oponente de uma vez. Mas ao se fazer isso, a arma perde muita energia, sendo necessário recarregá-la. O metódo para isso é simples: apertar o botão 1 para colocar Travis em modo de recarregamento, e depois chacoalhar o controle rapidamente. Travis faz um movimento parecido na tela: fica chacoalhando desesperadamente sua Beam até esta recuperar a energia.
Fora das missões, existe a cidade Santa Destroy, onde não há muito o que fazer além de procurar outras missões para juntar dinheiro e comprar alguns acessórios, como camisetas, casacos, calças, óculos, algumas espadas laser e upgrades para o personagem. O modo de exploração da cidade é meio vazio. É interessante existir a personalização no jogo, mas ter que andar pela cidade para fazer as compras não é o que mais agrada. O ideal seria que as opções de compra estivessem em um menu simples, por onde o jogador escolheria missões, compraria acessórios, veria status do jogo etc.. Além disso, a jogabilidade com a moto de Travis não é nada boa. Resumindo: andar pela cidade não é divertido. O jogo deveria ter sido totalmente focado nas lutas e deixado a “aventura” e “exploração” de lado.
No More Heroes é um dos jogos de Wii mais divertidos já feitos. As lutas são bem “energéticas”, as batalhas contra os chefes são animadas e duradouras, tem gráficos “bonitos” (lembram os de Killer 7, que também foi dirigido por Suda 51). Enfim, é um bom jogo. Ganharia facilmente uma nota 8 nas revistas e sites especializados.
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Setembro 26, 2008 às 2:09 am |
Como a internet diria: OLD